E então fazem dois dias que você não dá uma notícia. Na verdade, eu tento não contar os dias, as horas pra te ver. Eu calculo a hora que tenho que entrar, que é mais a noite, porque eu sei que você sempre entra a noite. Então eu vou, entro, e cadê você? É, pois é, você não tá mais lá. Eu não entendi ainda o que aconteceu, na verdade. Aquele dia você agiu como se eu tivesse diferente e eu não tav.. Ok, quem eu quero enganar. Eu acho que já tá na hora de eu me abrir com você. Olha, eu tô muito mal. E NÃO É SUA CULPA. É que assim.. Você sabe o problema do meu pai, certo? Então. Bem, daqui a pouco completam quase 5 anos e meio que ele desapareceu, puf, não deu mais notícia. E aí, desde então, eu venho guardando algumas coisas pra mim. É a PRIMEIRA VEZ que eu tô contando sobre esse problema para alguém da internet (a primeira vez que eu falei sobre isso foi HOJE, com a minha mãe. tu é o segundo a saber, se sinta hehe n) Eu acho que eu tenho uns 21987233987312897312 problemas de saúde, e uns 213983272397132987312 problemas psicológicos. Mas o que mais se destaca é um que eu meio que CRIEI. Bem, desde que meu pai se foi.. Foi um trauma psicológico muito grande pra mim. E então toda vez que eu conheço alguém, eu acho que essa pessoa, de uma hora para a outra, vai me deixar. Sim, literalmente vai me deixar. Que ela vai me abandonar. Não abandonar de morrer, e sim de sumir, do nada, como se nunca tivesse existido. E isso gerou a ansiedade E talvez seja por isso que eu me corto, e que me cortei já diversas vezes. Talvez seja por isso que eu venho me sentindo mal o tempo todo. E a partir desse medo, dessa história psicológica que eu criei dentro de mim, eu venho me sentindo mal. Não emocionalmente, mas literlamente mal. Mal-estar é rotina para mim. E na madrugada de hoje (23/07) eu realmente achei que iria morrer. Vou contar pra você. Eu fui dormir 6 horas da manhã. Fiquei até seis da matina ouvindo música, vendo série, porque eu tava muito mal mesmo, por causa desse medo psicológico que eu tenho das pessoas me deixarem, eu achei que você iria me deixar também, e talvez até tenha deixado, mas isso não importa agora. Então, eu fiquei sentada em posição de índiozinho, sabe? Com as pernas cruzadas, hihi. No sofá. E com a cabeça baixa, porque eu tenho uma miopia beeeeemm leve, e não consigo enxergar as coisas direito aqui no computador. Aí quando eu levantei para ir dormir, eu levantei de uma vez. Aí acontece que o sangue subiu muito rápido, eu fiquei tonta e caí. Bati a cabeça e foi horrível. Eu me sentia tonta. Não sei se você já teve aquela sensação de que você puxa o máximo de ar que consegue, mas parece que não tá cheio, sabe? E aí você tem que respirar bem fundo, apenas para se sentir vivo. E aí as pontas dos meus dedos começaram a formigar, e eu fiquei cada vez mais tonta. Acho que era exaustão. Minha mãe e minha irmã estavam dormindo, e eu estava sozinha ali, no chão, tentando levantar sem cair novamente. Junte tudo isso com o medo de morrer, mais a ansiedade. Eu comecei a suar frio, muito. Eu não sentia minha língua e achei que eu estava morrendo, SEM EXAGERO/DRAMA. Eu realmente achei que estava morrendo. Eu pensei que aquele era, finalmente, o meu fim. Então, acredite se quiser. Em meio ás minhas rezas desesperadas para que Deus tenha piedade de mim e me salve daquele mal estar, eu pensei em você. Eu não sei porque, mas me veio uma imagem na cabeça. Uma cena. Era uma praia, deserta. A areia era solta, e bem amarela. O céu estava completamente nublado e no mar, formavam-se ondas enormes, que quebravam nos meus pés. Então eu só conseguia ver, muito embaçado, alguém segurando a minha mão. E não era um ''owwn, que fofo, quanto amor, que romantico''. Era um ''eu tô aqui, se você parar de respirar, se você sentir as batidas do seu coração sumirem, eu vou estar aqui''. E isso me reconfortou. E eu comecei a respirar cada vez mais forte, e eu sentia que aquele era o meu último dia, o meu último segundo. E aí fez sentido todos aqueles livros que eu li que faziam a pergunta ''e se fosse o seu último dia? o que você faria?'' Eu tremia. E não era de frio. E a minha mão inteira ficou dormente, eu não sentia as minhas juntas do joelho, e aí foi como se eu só conseguisse tentar permanecer viva, mas ao mesmo tempo gostaria de desaparecer de uma vez. E ai eu fui para o quarto da minha mãe e só saía ''mãe, me ajuda''. Ela, primeiramente, achou que era frescura. Aí ela foi ver. Ela me contou que eu tava completamente pálida, minha púlpila dilatada, e meus olhos não paravam quietos, era como se eu tivesse com um olhar desesperado, procurando ar, procurando uma mão para segurar. E eu tremia. Mais do que o normal. Minhas pernas não paravam quietas um segundo e eu sentia o meu coração disparar o tempo inteiro. O que eu queria fazer? Esperar a morte. Esperar ali, enquanto o desespero de morrer sem ar tomava conta do meu corpo, do meu pensamento. Eu olhava para as minhas mãos, em busca de alguma razão, em o que acreditar, por que e como iria continuar viva depois daquilo? Aí minha mãe começou a conversar comigo, ela mediu meu pulso, minha pressão, e começou a chorar. Chorar porque ela também achava que eu iria morrer. Ela rezava em voz alta, porque ela estava completamente desesperada e eu me culpo por acordá-la assim. Mas o que eu iria fazer? Morrer em silêncio? Eu precisava de alguém. Eu lembro que eu deitei com ela, na cama dela, e eu olhei pra ela e falei ''mãe, eu não quero morrer''. E ela chorou. Chorou porque ela não queria que eu fosse também, e eu pude sentir o amor, a paixão, a maternidade nos olhos dela. E eu chorei junto. Aí começou aquele desespero. Ela me levou na cozinha e descobriu que eu estava a dois dias sem comer. EU ESTAVA SEM FOME NAQUELES DIAS, FLW? FLW. Aí ela quase morreu de desespero e me deu coisa pra comer. E eu continuava passando mal. Ela começou a conversar, e acredite, foi passando. Porque a ansiedade é uma porta. E não, ela não é trancada. Ela abre quando quer, e fecha quando quer. E aí ela me perguntou o que realmente estava acontecendo. Ela, já infartou uma vez em Janeiro de 2008. E teve depressão, e labirintite, e milhares de crises de ansiedade. Então ela disse para mim que o que eu tive foi uma crise muito alta de ansiedade. E aí ela disse que tava com medo de me levar num médico, e ele me receitar um calmante, e eu viciar nele. Porque eu já tive uma crise desse tipo, e tomava milhares de comprimidos de calmante por dia, que foi em 2008, enquanto minha mãe estava numa cama da UTI respirando por aparelhos. Nem eu me culpo por ter viciado em calmante, espero que você não me culpe também. Acredite, eu estava numa pilha de nervos, medo e insegurança. Mas eu não me lembro de ter me sentido assim, tão mal, á anos. Então minha mãe perguntou o que estava acontecendo e eu contei. Contei que me sentia vazia. Sim, vazia. Oca. O tempo todo. E isso não vem de hoje. Quer dizer, eu sou lotada de amigos. Eles me ligam o tempo inteiro, me chamam para sair.. Mas é como se tudo fosse em vão. Quer dizer, não é culpa deles. Eles são ótimos amigos, a culpa é do meu pai. Do destino. De como o universo conspira tão cruelmente mal quando ele quer. Eu também não me culpo por isso. Me desculpa se eu sou tão insegura. Mas bem, eu me sinto vazia. É como se eu tivesse uma única válvula de escape, e ela é você. E acontece que as vezes, por você ser a minha válvula de escape, e você ser um humano, aos meus olhos, as vezes você erra. Quer dizer, todos nós erramos. Não vou dizer que você é imperfeito, que você é o errado. Mas você não é uma perfeição. É claro que você é um ótimo namorado, mas por você estar tão longe de mim, por você não se sentir da mesma maneira que eu em relação á sentimentos/amor/etc, é como se fosse a minha válvula de escape se voltando contra mim. E aí eu me vejo sem chão, e não desabafo. Vou deixando pra lá, e quando eu vejo, estou uma pilha de nervos. E é assim o tempo inteiro. Não vou dizer que superei a ida do meu pai, mas eu não sinto falta dele. Mas é tão triste. Porque no meu colégio (todo mundo se refere a lá como um colégio de riquinho) todos tem pai, mãe, e uma família e vida perfeita. Notas boas, armário completamente organizado porque eles tem suas mil empregadas, e tem seu pai para ajudar a fazer as lições, e sua mãe para ensinar você a cozinhar. Acontece que eu sempre fiz tudo sozinha. Não foi por opção. Eu fui OBRIGADA a agir dessa maneira. Eu tenho orgulho da minha mãe, sério. Mas teve uma época que ela estava na UTI, e quando ela voltou para casa, ela não demonstrou interesse em nada. Então eu aprendi a cozinhar, a fazer faxina. Cuidei da minha irmã que é mais velha que eu. Fazia compras, separava as contas para pagar, cuidava da cachorra e opa, pera lá, eu tinha dez anos. Então talvez seja por isso que todos dizem que as vezes eu ajo como uma adulta. Mas eu aprendi a ser assim. E por causa desse período que a minha mãe ficou deprimida (eu entendo PERFEITAMENTE!), eu meio que tive que aprender a me satisfazer com pouco. Meu pai não estava lá. É claro que tinha a minha família, mas é muito fácil chegar, mandar melhoras e uma caixa de bombom, e ir embora depois de 1 hora de visita. Ok, muito obrigada viu colega. Só que eu tive que cuidar de tudo sozinha, SEMPRE. E é por isso que eu me sinto tão sozinha. Eu sempre fiz tudo por todos, e quando chega a minha vez, ninguém faz nada por mim. Eu sempre tenho que fazer as coisas sozinha, sempre. É como se eu fosse uma empregada, sei lá. Enfim. E sabe, por trás disso, eu sempre fui a filha perfeita. Na verdade, eu tive sim muitos contra-tempos. Mas eu estudava, não respondia, e aí eu era SEMPRE a palhaça. Fazia minha mãe chorar de rir, e minha irmã já mijou na calça de rir comigo. q Estava sempre disposta a tudo. Topava TUDO MESMO! Viagem, jogar um jogo, assistir filme, ir na pisicina, sair pra beber com a minha irmã, mesmo que for só refrigerante.. Ir no cinema, TUDO. Nunca fala ''não''. E aí eu comecei a perder a paciência porque eu estava procurando algo para acreditar. Quer dizer, você tem algo para acreditar? Aposto que tem. Aposto que você tem fé. Eu tenho, e MUITA. Mas me falta a coragem de levantar todos os dias, porque perdi todas as minhas paixões. E aí estou nessa agora. Aposto que você não sabia disso, ou nem fazia idéia.. Tem muita, mas muita coisa que você não sabe sobre mim. ;) E minha mãe vai marcar psicológo, DE NOVO, pra mim. Agora é um psicológo mais sério, porque ela viu que eu criei um espírito psicológico completamente diferente do que eu aparento estar. Quer dizer, eu pareço estar mal, mas estou completamente destruída por dentro. E vai ser sempre assim. Talvez eu precise mesmo de ajuda. E enfim, foi por isso que eu tava mal aquele dia, me desculpa se eu te tratei mal, eu só queria esclarecer um pouco as coisas. Provavelmente eu vou sumir bastante do msn, se você entrar novamente, acho que vai ser meio difícil de me achar, porque minha mãe proibiu fake, ela descobriu sobre você, descobriu que eu tava apx por voce em off e ela meio que acha que um dos motivos da ansiedade é o fake mesmo. Mas enfim, e eu acho que precisava contar isso pra você, porque não queria sumir sem dar notícia, ou motivos. Não tô deletando, não tô terminando, só vim avisar que eu vou entrar pouco. Eu espero que tu esteja bem, sei lá. Amo você. E ah, queria te agradecer porque eu viciei na Demi Lovato, rs. E a música Skyscraper meio que me ajudou e MUITO. A letra é muito eu, não sei porque, me ajudou. E foi por sua causa que eu comecei a escutar, então.. Obrigada.